sexta-feira, 10 de agosto de 2018

SKAFIDA ou Skafidi



Era mais um dia quente no verão grego e nosso quinteto desbravava as ruelas de OIA em Santorini. Fome e sede já tinham nos atacado.
Procurávamos algum lugar para almoçar e descansar mas que não fosse aqueles restaurantes típicos para turistas.
Surge de repente num cantinho das escadarias, uma pequena taverna com umas 4 mesinhas. Foi lá mesmo que resolvemos ficar e tivemos muita sorte. Nada de luxo, apenas beleza na simplicidade.
Lá veio o rapaz, um dos donos desse mini restaurante familiar nos dando as sugestões deliciosas do dia. Fizemos nossos pedidos e enquanto aguardávamos , algo na parede me chamou a atenção! Imediatamente minha memória encontrou uma “SKAFIDA”, ou skafidi ou skafi.
Uma espécie de recipiente retangular que poderia servir para preparar a massa do pão que era o principal alimento na antiguidade grega. Não discorrerei sobre como isso era feito porque a minha memória chamou para o dia em que num inverno rigoroso, em Marathos, Grécia, em época em que ainda não havia energia elétrica, chuveiros e coisas do tipo, uma Skafida foi usada por minha tia para me banhar. Era assim que banhavam as crianças naquela época.
Meu pai contava que a Skafida servia como canoinha para ele e seus irmãos brincarem nas águas azuis dos mares da cidade. Aproveitavam a hora da sesta, logo depois do almoço, deixavam os pais adormecerem pegavam a skafida e se mandavam escondidos e nus. Nus sim porque a mãe lhes escondia as roupas para que não se aventurassem pelo mar.
Meu pai contava que, numa dessas vezes, eles demoraram a voltar e o pessoal da cidadezinha já se encontravam nos cafenios(cafés). Tiveram que ir pelos cantinhos, nús , e descobertos levaram aquela sova!
Em frente à cidadezinha de Marathos, existe uma ilha pequena chamada Proti. Era para lá que eles fugiam com a skafida até que fossem descobertos.


                      






















sábado, 26 de maio de 2018

"Recusa"- poema de Seferis




RECUSA- (Περιγιαλι το κριφο)

O lindo pequeno poema do nosso grande poeta grego Seferis “Αρνισι” , que significa Recusa ou Negação, conheci ouvindo-o musicado pelo maestro Theodorakis.
Encontrei duas traduções do poema: uma sem preocupação com ritmos ou rimas e outra respeitando o sentido, as rimas e a métrica. Nesse a tradução também é feita com liberdade.
Mostro para vocês a tradução poética, que, porém , na minha modesta opinião é falha ao dar um sentido diverso de algumas palavras.

Στο περιγιάλι το κρυφό                                          Na praia distante
κι άσπρο σαν περιστέρι                                         Branca como a garça(pomba)
διψάσαμε το μεσημέρι                                           Sol a pino e água                                    
μα το νερό γλυφό.                                                 Salobra torturante

Πάνω στην άμμο την ξανθή                                  Sobre a areia loura
γράψαμε τόνομά της                                           O nome dela escrito
Ωραία που φύσηξε ο μπάτης                                A brisa com atrito
και σβήστηκε η γραφή .                                        cada risco agoura

Με τι καρδιά, με τι πνοή,
                                       Que coração e alma                              
τι πόθους και τι πάθος                                         
E desejo e afeto
πήραμε τη ζωή μας· λάθος!                                 
Faz a vida- incorreto!
κι αλλάξαμε ζωή                                                    A vida se reforma.


Na minha tradução, menos poética, ficaria assim:
Numa praia escondida
E branca como uma pomba
Sentimos sede ao meio dia
Mas a água salgada

Sob a areia loira
Escrevemos seu nome
A brisa soprou
E apagou o escrito

Com o coração, com a respiração
Com tal afeto e tal paixão
Levamos a vida do jeito errado
E mudamos de vida


Esse pequeno poema de Seferis, muito popular em Chipre, acreditam alguns, ter sido inspirado numa bela costa de Chipre Konnos Praia Protaras, na costa oriental da ilha.
Apesar de todo amor e das ligações do poeta com Chipre , esse poema, em questão não foi nela inspirada, já que foi escrito muito antes de Seferis ter visitado a ilha. Seferis esteve pela primeira vez na ilha de Chipre em 1953. O poema foi escrito em 1931. O poema foi escrito após seu retorno de Paris, refletindo sentimentos de pessimismo e estados mentais difíceis deste período.Não estava satisfeito com seus estudos de Direito e também teve duas grandes desilusões amorosas. Esses detalhes encontramos no livro escrito pela sua irmã "Meu irmão C.Seferis".O poema inclui um dos temas preferidos de Seferis, a tragédia do homem, um homem que começou a vida com sonhos,com desejos, com paixão e, em dado momento percebe que sua vida foi um erro.Decide então mudar de vida.
Pode também ser interpretado como um poema de resistência.
Quando da morte de Seferis, em 1971,época da ditadura na Grécia, multidões acompanharam o funeral entoando essa linda canção. Apesar do nome do poema ser "Recusa"(Αρνισι), ficou perpetuado como "To perigiali to krifo".As interpretações do poema variam muito.
 Essa é a grandeza da poesia, sua polissemia, que atinge cada um de forma diversa.

Segue o poema lindamente musicado por Theodorakis que é um clássico .


SEFERIS

THEODORAKIS






 Theodorakis já idoso, interpretando sua obra  e mais duas primorosas interpretações.





Fonte de pesquisa:
people&ideas




quarta-feira, 9 de maio de 2018

Panagia Kakaviotissa- a igreja sem teto da ilha de Lemnos.





Panagia Kakaviotissa, trata-se de uma capela perto da aldeia de Zemata, na ilha de Lemnos, Grécia. Situa-se no topo da montanha, entre rochas imponentes, um lugar que provavelmente abrigou um templo dos primeiros cristãos e eremitas no período bizantino. Essa região é conhecida desde 1305, ano que chegaram monges , vindos do  mosteiro de Agios Eustratius instalando-se nessa igrejinha, no intuito de se protegerem de ataques turcos.
A Panagia (Nossa Senhora) foi chamada de Kakaviotissa , por estar a igrejinha localizada na montanha de Kakavos. É a única igreja sem teto , construída numa caverna. Não se trata exatamente de uma caverna mas de um recesso formado pelas rochas.Sob esta sacada rochosa, ascetas do ano 1305, escolheram o lugar para praticar o louvor à Virgem Maria.O templo foi construído para abrigar os monges. Depois de todos mortos, outros não foram lá viver. O último sobrevivente, decidiu ir embora e viver no Monte Athos. Antes de partir deixou o ícone da Panagía a um cidadão da ilha, da família Mumtzy.
Há livros cristãos preservados. A igreja só funciona nas “Lamprotrite”, no dia 9 abril, em memória de S. Rafael, S. Nicolau e Santa Irene. Nessi dia o ícone é levado à igrejinha para a celebração.

Fonte: http://www.mylemnos.gr




terça-feira, 24 de abril de 2018

Café da manhã grego





O valor de ter um café da manhã é indiscutível, como é a importância da dieta mediterrânica. Mesmo a UNESCO citou isso por seu significado cultural. O café da manhã grego é a combinação ideal destes dois e o combustível perfeito para mantê-lo energizado durante suas explorações nesta bela terra!
Os ingredientes básicos para um café da manhã grego são pão, compotas e marmelada, frutas e legumes frescos, azeite, iogurte, mel e doces, queijo e pita, mas cada região da Grécia é famosa por seus próprios produtos tradicionais e receitas.

A coroa do café da manhã grego é pão. O pão tem sido parte integrante de rituais e refeições desde os tempos antigos, quando foi oferecido em sacrifícios, e seu papel na vida religiosa foi mantido na nova religião, o cristianismo.
Nos tempos mais antigos, cada dona de casa fazia o pão da sua família duas ou três vezes por semana, adicionando ocasionalmente especiarias como orégãos, azeitonas ou passas para realçar o sabor. Hoje, as padarias em toda a Grécia cozinham pão premium diariamente usando trigo, cevada ou farinha de trigo, cada uma seguindo receitas tradicionais cujas origens se perdem no tempo.

No norte da Grécia e especialmente na capital regional de Thessaloniki, o tipo mais popular de pão é o koulouri, uma espécie de pão redondo assado com sementes de gergelim e uma pitada de sal.

Biscoitos feitos de cevada ou trigo são tão populares no sul quanto o koulouri fica no norte. Em Creta e Karpathos, eles são assados ​​com uma pitada de cominho para acentuar seu sabor rústico; na ilha de Lesvos eles preferem o anis e em algumas ilhas das Cíclades, açafrão. Ocasionalmente, as bolachas são assadas em tamanhos menores, com mel ou açúcar, para serem consumidas como doces, com seu café grego ou suco de laranja espremido na hora.
Há tantas maneiras de desfrutar de pão acabado de cozer! Na tradição culinária grega, o pão acompanha virtualmente qualquer prato, queijo ou marmelada. A arte de transformar frutas de alta qualidade em deliciosas marmeladas ou geléias foi revivida nos últimos anos. Muitas pequenas cooperativas e associações de fazendeiros fabricam seus próprios jarros feitos à mão e os vendem em mercados locais usando apenas produtos naturais e sem conservantes. Figos, amoras, morangos, cerejas, pêssegos e outros estão entre os diferentes sabores que você pode encontrar para venda. Você pode derramar algumas colheres de chá da sua geléia favorita em uma tigela de iogurte grego gelado para uma maneira doce e saudável para começar o dia.

Para um toque moderno em um café da manhã tradicional, você pode combinar geleias doces com queijo salgado. O queijo também tem um papel central na vida grega há milhares de anos, com a produção de queijos e o consumo de alimentos sendo mencionados em textos tão antigos quanto a Odisseia de Homero. Naturalmente, você está familiarizado com o queijo feta que é produzido em muitos lugares em toda a Grécia, mas há também centenas de outras variedades de queijo que são preparadas em diferentes locais e cujo sabor rico é definido pelo clima, receita e técnica usada. A graviera e manouri de Creta, kalathaki de Lemnos e o kopanisti de Mykonos estão entre algumas das variedades mais conhecidas de queijo grego que podem ser combinadas com uma ampla seleção de salames e carnes curadas como apaki de Creta e sigklino de Mani para ofertas deliciosas.
Muitos visitantes, impressionados com a complexidade do jantar gourmet e da complicação excessiva das receitas, desejam voltar ao gosto autêntico que define o mapa culinário grego. A melhor maneira rústica de desfrutar do melhor que a Grécia tem a oferecer é pulverizar uma fatia de pão acabado de cozer com azeite extra virgem e comê-lo com uma pitada de sal e orégano. Você então entenderá por que a oliveira era a árvore sagrada da antiga Atenas e compreenderá por que os atletas competiam por nada mais que uma coroa de oliveiras. Hipócrates, o pai da medicina, sublinhou as qualidades benéficas que este óleo abençoado tem na cura de feridas e outras doenças. Os gregos usam azeite em quase todos os lugares: na culinária, em saladas, em um biscoito de cevada com queijo feta e orégano ou ao assar o feno tradicional para fazer pita.

A pita grega é feita colocando duas folhas de massa feitas à mão - uma sobre a outra com um recheio e assando-as no forno. Os fylla são feitos usando apenas água, farinha e azeite. No decorrer das eras, inúmeras receitas para encher o fylla foram criadas em toda a Grécia e cada área se orgulha de produzir o recheio mais saboroso. Pitas populares são pita de espinafre ou spanakopita, pita de queijo feta ou tyropita e pita de abóbora doce ou kolokythopita. Exceto por variações no recheio, também há variações na forma e no tamanho da pita, que são ideais para comer no início do dia.

Falando de fyllo, ele também aparece proeminentemente no final de muitas refeições gregas, já que as donas de casa costumam preparar dois tipos de sobremesa: siropiasta (que significa uma categoria de doces que geralmente são feitos de fyllo e recheados com doce recheio em calda deliciosa) e tou koutaliou ou colher doces, que são frutas naturalmente conservadas em calda. Os últimos são chamados de doces de colher porque eles são tradicionalmente servidos em um prato pequeno com uma colher pequena. Alguns dos sabores típicos são laranja, bergamota, cereja ácida, rosa e figo. Normalmente, eles são combinados com iogurte ou sorvete.

Um café da manhã tradicional grego seria incompleto sem uma variedade abundante de frutas frescas cobertas com mel e nozes secas. Isso favorecia a delicadeza que os antigos atenienses desfrutavam nos simpósios. Outro lanche favorito mencionado em textos antigos é pasteli, um doce bar feito com sementes de gergelim, amêndoas e mel.
Reconhecendo o valor nutricional do café da manhã grego, muitos hotéis e pousadas de toda a Grécia agora se preparam e oferecem para os hóspedes. Conhecer a culinária de um povo pode ajudá-lo a entender melhor sua história e seu patrimônio. No caso da Grécia, a participação no café da manhã grego abrirá novos horizontes culinários e lhe apresentará uma série de produtos naturais e premium e hábitos alimentares.
FONTE: www.definitelygreece.com




QUEIJOS VARIADOS DEPENDENDO DE CADA REGIÃO DO PAÍS








IOGURTE COM GELÉIAS VARIADAS DE FRUTAS DA ÉPOCA

quarta-feira, 18 de abril de 2018

SALADA TÍPICA DA REGIÃO DE MANI (COM LARANJA)





Uma salada típica da região de Mani, na Grécia é a de batatas com laranja.
Acompanha bem carnes e peixes.

Ingredientes para 4 pessoas
-quatro batatas médias
-uma laranja descascada
-uma cebola grande bem picadinha ou cortada em rodelas
-10 azeitonas
-três colheres de azeite de oliva
- um bocado de orégano
-sal e pimenta a gosto

Modo de fazer:
Em uma travessa, colocar as batas cortadas em fatias, salgar e acrescentar orégano e pimenta. Acrescentar a laranja em gomos, a cebola, as azeitonas e, finalmente regar tudo com o azeite. Misturar bem e servir .



FONTE: maniatika.wordpress.com

sexta-feira, 9 de março de 2018

A verdadeira riqueza de Atenas




Almoçando hoje com minha filha, falávamos sobre o que mais gostaríamos de conhecer na Grécia. Ela logo me disse que nunca fora a uma biblioteca grega, que tinha curiosidade em encontrar obras gregas, no original, preciosidades.
Realmente nem eu conheci ainda uma biblioteca grega. Isso me fez pesquisar algo a respeito. Deparei-me ,com grata surpresa, com um blog do fotógrafo Philip Wiper.
Traduzo e resumo aqui o maravilhoso texto “The real Wealth of Athens”- A verdadeira riqueza de Atenas.

                 Auditório da Sociedade Arqueológica em Atenas, fundado em 1837

Nestes tempos difíceis, é fácil esquecermos o que a Grécia deu ao mundo. O berço da civilização ocidental, a Grécia Antiga, nos forneceu muito do que hoje conhecemos como a democracia, filosofia, tragédia, comédia, poesia, matemática e, claro, os Jogos Olímpicos.


Muitas instituições surgiram nos últimos 5 anos para pesquisar, preservar e exibir a cultura da Grécia.


                       Biblioteca Nacional da Grécia, fundada em 1832


            Museu Arqueológico Nacional de Atenas, fundado em 1829


                     Museu Arqueológico de Atenas, fundado em 1829


    Afrodite Panagiotakou, vice-diretora do Centro Cultural Onassis na Biblioteca Helênica.


     Teto do Museu Numismático, que abriga uma das maiores coleções de              moedas, antigas e modernas, no mundo. Fundada em 1838.


Professora Catherine A. Morgan, Diretora da British School em Atenas. Fundada em 1866, a Escola promove a pesquisa de excelência internacional em todas as disciplinas pertencentes às terras gregas, desde as belas artes até a arqueometria e em todos os períodos até os tempos modernos.


Laboratório Fitch da British School em Atenas, onde as técnicas científicas são usadas para analisar materiais de ossos de animais e também cerâmicas.


Coleção de referência do Fitch Laboratory de ossos de animais, que hospeda esqueletos modernos de um grande número de espécies.


Museu Benaki, fundado em 1930. Inclui arte grega de todos os períodos.



Bibliotecada Sociedade Arqueológica de Atenas, fundada em 1837.

Como deduzimos, temos muito a aprender com todo esse material tão rico.

Fonte:alastairphilipwiper.com











quinta-feira, 1 de março de 2018

A pulseira de Março- Marti




A pulseira de março

Uma linha ou um cordão vermelho é colocado na mão no primeiro dia de março -
Martiá ou Marty é um costume muito antigo, com uma diáspora dos Balcãs. Acredita-se que tenha suas raízes na Grécia antiga e, especificamente, nos Mistérios Eleusinianos, onde os iniciados amarravam um fio, Krokis, à sua mão direita e à perna esquerda, como observa o folklorista Nikolaos Politis.
De acordo com o costume, no dia 1 de março, as mães usam uma pulseira feita de fios vermelhos nos pulsos de seus filhos, para protegê-los do primeiro sol da primavera, prejudicial, de acordo com as crenças populares. Marti também preserva dos mosquitos e pulgas, e também remove doenças e outros males.
É usado no primeiro dia de março, antes de sair da casa. Em algumas áreas, Marti é usado no dedo grande como um anel para que o dono não tropece.
Esta pulseira é retirada no final do mês, ou deixada nas roseiras para quando vierem os pássaros a levarem e construírem seu ninho ou queimá-lo com a luz da Páscoa.
A Igreja Cristã, através de João Crisóstomo, considera esse hábito idolatria desde o século V.

Fonte: Sansimera