Coisas da Tacía
Alguns amigos pediram que eu criasse uma página ou um blog com as minhas "coisas". Resolvi me aventurar e farei um mix bem variado: indicações, sugestões , músicas, imagens e textos. Espero que gostem. Bem vindos!
quinta-feira, 28 de maio de 2026
BOUGIOURDI- Aperitivo grego de feta assada
segunda-feira, 16 de março de 2026
MANJERICÃO (vasilikos em grego) amaldiçoado ou uma benção?
Alexandre, o grande, trouxe-o das Indias.
Diz um antigo provérbio "onde cresce manjericão, o mal não cresce".
Esta erva estaria ligada à tradição cristã porque teria crescido no local onde a cruz de Cristo fora enterrada, onde Cristo fora crucificado. É por isto que o manjericão é distribuído nas igrejas na Festa de exaltação da Cruz, em 14 de setembro.
Seu nome científico é Ocimum Basilicum e pertende à família das labiatáceas, sendo também conhecida como erva de São José.
Suas folhas possuem óleos essenciais, responsáveis por seu aroma agradável agradável . Possue propriedades terapêuticas e relaxantes.
O rei das ervas
Alexandre, O Grande, levou o manjericão para a Grécia quando de sua campanha na Índia. Lá é o país de origem dessa herva que é considerada sagrada pelos hindus.
Hoje em dia há mais de 60 espécies de manjericão.
Conta-se que quando Santa Helena chegou à Palestina para encontrar a cruz de Cristo, viu um arbusto do qual emanava um forte aroma. Interpretou isso como um sinal divino e começou a cavar em sua rais onde, finalmente, encontrou o símbolo sagrado do Cristianismo.
Provavelmente e daí que surgiu o costume cristão de levar manjericão à igreja no dia 14 de setembro, dia da Vigília Pascal.
Pelo contrário, os antigos gregos consideravam seu forte odor uma maldição. Não a tinham em alta estima pois consideravam-na a planta preferida dos escorpiões, que faziam ninhos sob suas folhas.
Os romanos a consideravam uma poção do amor, os egípcios a utilizavam juntamente com outras plantas no embalsamento e os gauleses em cerimônias de purificação, junto com água da nascente.
Na Grécia o manjericão é considerado a planta do verão e está associada á boa sorte.
Fonte : mixanitouxronou.gr
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Naquela mesa tá faltando ele!
Preferia ficar no sítio, no interior de São Paulo. Todo os anos passava essa temporada no Brasil e esse era seu lugar na mesa da varanda do sítio. Essa casa existe há uns 50 anos. Nela meus pais reuniam amigos, minha mãe fazia festas e mais festas sempre pilotando a cozinha magistralmente.
Quando estávamos em família, após o almoço todos se retiravam e eu permanecia nessa mesa com meu pai por muito tempo.
Ele contava histórias , geralmente da Grécia, falava sobre a vida e eu me deliciava. Aprendi muito com ele e as minhas "greguices" têm razão de ser. Falávamos em grego o que me fez dominar o idioma. Agradeço demais a ele por fazer questão de nos ensinar o grego.
Quando pequena, me ensinava a ler numa cartilha . Esse grego maravilhoso faz uma falta imensa, deixou um vazio. Digo sempre que meu google partiu.
Passei uns dias com minha filha no sítio e nos deslumbramos com a natureza, com as árvores gigantes. Comparamos com fotos antigas e nos admiramos pois tudo foi plantado pela minha mãe.
Que mãos abençoadas!
Os meus pais partiram dessa vida e acabou aquela vibração que havia por lá. Agora eu e minha filha queremos resgatar tudo isso, aproveitar esse presente precioso que meus pais nos deixaram.
Me deliciei vendo a Katherine, minha filha, sentindo tanto amor pelo lugar, fazendo arrumação na casa, descobrindo memórias, entrando na mata atrás de colher as frutas : mangas, jacas, lichias de árvores imensas que mais parecem árvores de Natal enfeitadas, carambolas, acerolas etc...
Foram dias de resgate, de afeto, de lindas memórias.
sábado, 29 de novembro de 2025
O MOMENTO GREGO
quarta-feira, 26 de novembro de 2025
TESMOFÓRIA- uma celebração da fertilidade da terra
Tesmofória era um festival agrícola dedicado à deusa Deméter. Era realizado exclusivamente por mulheres no início do ano agrícola, ou seja, (meados de outubro até meados de novembro), em Atenas e nos municípios da Ática. Somente mulheres casadas participavam , não homens. A punição para as infratoras era a cegueira ou a morte.
A participação exclusiva de mulheres não deve nos surpreender, pois a Teesmofória era um festival de fertilidade e, portanto, as mulheres eram as mais indicadas para participar por razões biológicas. Assim, seu papel era muito importante para o funcionamento das cidades da Antiguidade, para a preservação e a realização de rituais de fertilização .
As evidências das escavações revelam a longa duração do culto a Deméter. Para a celebração das Tesmofórias, muitas informações provêm das Tesmofórias de Aristófanes. Sabemos que sua duração era de cinco dias e que começavam no nono dia de Pyaneption.
Esse primeiro dia era dedicado à preparação para o festival. As mulheres desenterravam de fossas as oferendas que haviam feito anteriormente à deusa Deméter, em um momento que desconhecemos.
Essas oferendas incluiam símbolos de fertilidade, como porcos sacrificados e efígies em forma de órgãos genitais masculinos feitos de massa. Os restos dessas oferendas eram recolhidos e espalhados pelos campos , acreditando-se que essa mistura os tornaria mais férteis.
No dia seguinte, 10 de Pyaneption, as mulheres ricas de atenas desciam à baía de Faliraki e realizavam a Tesmofória de Alimuth.
Lá faziam sacrifícios à deusa Deméter e dançavam.
Os primeiros dias podem ser considerados de preparação. O primeiro dia oficial do festival era dia décimo primeiro de Pyaneption, o chamado Anodos. Era o dia em que uma procissão organizada de mulheres se reunia em um ponto específico da cidade e partia para o campo, onde permaneciam por três dias.
O décimo segundo dia era chamado de Quaresma ou Mesi. Era um dia de luto por esse motivo e não havia sessões judiciais nem reuniões do Parlamento.
As mulheres lamentavam sentadas em ramos de salgueiro ao redor da estátua de Deméter, assim como ela lamantava a perda de sua filha.
Comiam "sesamoutes", doces feitos de sementes de gergelim e romã, trocavam palavrões , em memória das obscenidades que Iambe dirigia a Deméter para animá-la.
O último dia era dedicado a Calígena, deusa do bom nascimento.
As mulheres proeminentes de cada cidade ofereciam um banquete para todas as mulheres que participavam do festival das Tesmofórias. A realização de um banquete em honra a Calígena indicava que as Tesmofórias não eram um ritual voltado exclusivamente para a fertilidade dos campos. Ao que tudo indica, durante esses dias, as mulheres desejavam e almejavam sua própria fertilidade e o nascimento de filhos saudáveis.
FONTE: Stavros Asimakopoulou
helenismosonline.gr
segunda-feira, 29 de setembro de 2025
PANTOPOLION- espécie de mercearias ou vendas
Talvez possamos traduzir como vendas ou mercearias.
Nos bairros , na Grécia, como nas cidades de interior , costumávamos encontrar várias dessas lojinhas. Hoje o número é bem menor dado o surgimento de redes de supermercados.
Porém ainda são muito úteis e é numa delas que eu costumava ir, quase que diariamente, quando passei uma temporada maior em Atenas, no bairro de Halandri. Ficava numa esquininha da Leoforos Pendelis. Eu me hospedava na casa de uma tia muito querida, Sra Aristea.
Na época não existiam celulares nem internet e nos comunicávamos muito por cartas e cartões, via correio. No Pantopolion, eu encontrava as folhas para cartas , os envelopes e os selos.
Lá mesmo havia uma caixa dos correios , em frente à lojinha.
Me lembram também os bazares dos árabes onde se encontra de tudo.
Hoje quem sabe seriam nossas lojas de conveniência????
Só que nessas vendinhas comprávamos frutas, ovos, leite e tudo mais que precisávamos. Havia revistas, cigarros , selos, cartões, envelopes, produtos de papelaria etc. De tudo, um pouco!
Como passei muitos meses, costumava comprar as revistas para praticar a língua grega. Enviava cartões e cartas aos familiares e amigos quase que diariamente.
De tanto tempo que passei por lá, o pessoal da vizinhança já me conhecia. Pertinho desse Pantopolion ficava um posto de gasolina , propriedade de um grande amigo dos meus tios, primos que moravam no mesmo bairro.
O sr. Mitsos(diminutivo de Dimitris), me conheceu logo que cheguei, muito jovem e com aquelas calças apertadinhas e boca de sino!
Depois dos 5 meses passados, quem disse que as calças entravam?
Eu passava com os vestidos soltinhos e o sr Mitsos, gritava da outra calçada:"_Tacía, onde estão aquelas suas calças"??? Caíamos na risada!
Desde então, passadas décadas, aprendi que quando viajo para a Grécia, levo vestidos soltinhos. A gastronomia grega é deliciosa, irresistível. E o pão e queijos então???
A vida passa rapidinho para deixarmos os prazeres de lado.
Em cada volta, me disciplino novamente e pronto.
Lê-se na placa do estabelecimento Παντοπολειον. A própria palavra já traz o significado.
terça-feira, 9 de setembro de 2025
TREMOÇOS ( LUPINA)
Pesquisando
um livro sobre a região de Mani (região do Peloponeso, sul da Grécia) e os
costumes antigos, encontrei um destaque para
os tremoços que nós gregos chamamos de Lupina.
Outrora
tratava-se de alimento para porcos ou pessoas pobres e famintas. Hoje está
presente nas dietas vegetarianas.
Os tremoços fornecem poucas calorias e múltiplas propriedades, possuindo grande valor nutricional.
Tanto
adultos como crianças apreciavam os tremoços e aguardavam ansiosamente a hora
de degustá-los frescos.
Hoje em dia,
aparecem nas feiras e mercados durante a Quaresma.
Em Stoupa,
na região de Mani, havia nos dois lados da baía, os secadores de tremoços.
Na época da
colheita, chegavam famílias de vilarejos vizinhos para preparem os tremoços.
Ficavam por lá quantos dias fossem necessários.
Os tremoços
eram semeados em Novembro e geralmente onde plantavam tremoços num ano, no
outro plantavam trigo para que a terra ficasse mais robusta.
Em julho
dava-se a colheita e havia todo um processo para isso. Para separar a fruta da
casca , batiam, limpavam e lavavam e colocavam para secar nas “liastres”(secadoras).
Primeiro
ferviam os tremoços em grandes
caldeirões, depois espalhavam-nos em sacos de pano enormes e os colocavam
dentro do mar por 8 a 10 dias até tirar o amargos dos mesmos.
Após esse processo, os tremoços eram espalhados num terreno limpo para secarem ao sol. Nesse interim, eram virados de lado para melhor secagem. Serviriam de ração para os animais durante todo o inverno.
Atualmente , em alguns países são servidos em bares como petisco acompanhando bebidas.
Fonte: “Mani”
de Voula Kiriakéa
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