Alguns amigos pediram que eu criasse uma página ou um blog com as minhas "coisas". Resolvi me aventurar e farei um mix bem variado: indicações, sugestões , músicas, imagens e textos. Espero que gostem. Bem vindos!
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Fassolada
Hoje com esse friozinho, sugiro este maravilhoso prato grego.
Fassolada (Fassoladha)
Φασολάδα
Feijoada grega de feijão branco
Serve 4 a 6 pessoas
Ingredientes:
500 gr de feijão branco
3 cenouras cortadas em rodelas
1 cebola média picada
3 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de extrato de tomate
Folhas de salsão picadinhas
½ colher de sopa de sal
Pimenta a gosto
Água fervendo
Modo de preparo:
Coloque o feijão e 1 ¼ litro de água
numa caçarola e deixe cozinhar em fogo baixo em panela tampada até ficar macio.
Coloque o azeite e a cebola numa
panela e refogue. Junte a cenoura e continue refogando, por cerca de 10
minutos. Adicione o extrato de tomate.
Junte o conteúdo da panela à caçarola
com o feijão. Coloque o salsão, o sal e a pimenta e deixe cozinhar em fogo
baixo e com a panela tampada até a cenoura ficar macia e o caldo engrossar.
Se necessário, adicione mais água
durante o preparo.
Dicas:
- O tempo de cozimento do feijão
depende da qualidade e da idade do mesmo. Caso queira diminuir este tempo (o
que é aconselhável) deixe o feijão de molho por algumas horas (pernoite), jogue
a água fora e cozinhe conforme a receita.
- Outra opção para diminuir o tempo
de cozimento é usar panela de pressão. Neste caso, coloque o feijão e 1 ¼ litro
de água na panela, tampe e deixe cozinhar por 20 minutos após o início da pressão.
Depois, seguir a receita a partir do preparo das cenouras.
- Outra forma de preparar é juntar
todos os ingredientes numa caçarola e colocar para cozinhar adicionando água
quando necessário. Esta é a forma de preparo em panela de barro em fogão a
lenha.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Mais do que uma simples Maria
Nascida num lugarejo perdido, nas encostas rochosas de Campos Avias, Kalamata,Grécia. Lá estava mais uma "Maria", órfã de pai já no primeiro mês de vida. Do pai, ela herdou os olhos negros brilhantes que a acompanham até hoje nos seus quase 85 anos de vida. Não houve tempo para mais nada. Sua mãe,a jovem viúva Vasiliki, pressionada por parentes, casou-se novamente.
Maria, rejeitada pelo padrasto e até judiada, foi acolhida pela avó materna, Ekaterini, que se ocupou de sua educação e que lhe deixou como herança a "Fibra", palavra em desuso e de conteúdo quase extinto em nossos dias.
Maria,estudar? Pra que? Uma órfã não precisa de estudo. Era necessário, sim, que ela se acostumasse desde cedo aos trabalhos domésticos e aos trabalhos nos campos das oliveiras. Moça pobre, sem dote, não podia sonhar em se casar com um homem rico, nem ter uma vida de luxo e conforto.
Para chegar aos campos, as plantas daqueles pezinhos descalços de criança, pisavam em pedras escaldantes. Calçar sapatos? Somente aos domingos para ir à igreja. Não é à toa que ela até hoje,tem dificuldade em encontrar um calçado que se amolde aos seus pés judiados.
A pobreza, porém, não teve força para esconder a beleza que se
acentuava cada vez mais naquele ser que parecia abandonado pela sorte.
A moça alta, de corpo curvilíneo, cabelos escuros ondulados e olhos negros como as azeitonas que ela mesmo colhia, atraía os olhares de cada homem do lugarejo. O fato dela ser órfã e pobre, porém, pesava muito mais.Não havia amigas para ela. Afinal, quem quer ter como amiga a moça mais bonita do lugarejo?
Houve momentos difíceis de solidão e desencanto mas a jovem já estava forte, dura como as pedras que cercavam sua cidade. Ninguém conseguia abalar sua capacidade de sonhar. "Inferioridade" era palavra desconhecida em seu vocabulário. Era consciente de sua beleza e sabia ser sensual mesmo vestindo roupas simples de tecidos baratos.
Essa mesma sensualidade que dela exalava, apanhou desprevenido o jovem militar, recém chegado à cidade. Moço rico, de família importante, disputado pelas moças mais bonitas e ricas das redondezas, só poderia estar querendo uma aventura com a simples "Maria".
Os comentários da vizinhança não impressionavam a vovó, muito menos a jovem apaixonada. A vovó acreditava no amor dos dois. Ela própria havia ensinado Maria a ser uma mulher de personalidade marcante, com muito brio e força.
Eram duas mulheres contra a opinião formada de uma cidade. Não houve convenção que as fizesse sucumbir. A jovem órfã e sem dote, tinha o mesmo direito à felicidade que qualquer outra.
Não demorou a chegar aos ouvidos do pai do jovem militar, que seu filhos estava de caso com uma qualquer. O velho enfurecido, não mediu esforços para afastar o filho da "pé de chinelo". Ameaçou deserdá-lo, apresentou-lhe moças prendadas com grandes dotes, que poderiam aumentar o patrimônio da família.
Tudo em vão.
Para espanto geral, o jovem, acostumado a todas as mordomias, trocou sua privilegiada posição pelo amor de uma mulher que, além de bonita, tinha "garra" para enfrentar a vida ao seu lado. Seria uma companheira e não somente uma esposa.
Foi o acaso que uniu dois seres tão anti-convencionais? Não acredito.
Deserdado, sem trabalho e sem apoio, o ex-"filhinho de papai", após casar-se com Maria, viu-se meio perdido.Graças ao espírito aventureiro que só os jovens têm, o casal apaixonado já com um filho a caminho, entrou no primeiro navio que apareceu e rumou ao Brasil, terra longínqua e desconhecida.
Sua única bagagem era o amor que os unia e o intuito de procurar um futuro digno para os dois e para o filho que logo nasceria.
Desembarcar num país estranho, de idioma desconhecido, sem amigos e com pouco dinheiro, não foi fácil. O único jeito foi aceitarem o alojamento da imigração. De início houve um choque quando foram separados:homens de um lado, mulheres de outro. A única arma que o casal possuía era exatamente a união. O que fariam separados naqueles dormitórios pulguentos?
Passaram a noite num degrau, na rua, apavorados mas procurando alternativas melhores de sobrevivência.
Instalaram-se num quarto de cortiço pertencente a um português, que os recebeu com carinho.
Logo nasceu a filha, passei a existir, fruto de uma união anti-convencional de dois jovens incríveis, corajosos, que nunca se entregaram.
Eu não poderia deixar de externar o orgulho que sinto por ter tido o privilégio de ser continuação de tais seres.
Naquele quartinho de cortiço, os dois uniram-se mais ainda . Chegara mais alguém e eles não se viram no direito de fraquejar.
Daqueles dias até hoje, muita coisa aconteceu. Os momentos de dor e desespero não foram poucos. Quando sentiram que a filha poderia passar fome, pediram ajuda aos parentes na Grécia.A resposta foi:
-"Vocês escolheram o amor, agora virem-se".
Era exatamente a resposta que eles precisavam ouvir. os dois se agigantaram. Não posso acreditar na versatilidade de ambos. Trabalharam em tudo que apareceu. Não diziam :"-Não sei".
A mamãe transformou-se em bordadeira, costureira, modelista e comerciante brilhante . O papai , ex-militar, que nunca tivera outra profissão, virou técnico de máquinas de costura, guarda-noturno, trabalhou em joalheria e chegou a industrial vitorioso.
O caminho foi longo mas limpo e honesto.Não faltaram as quedas e o desânimo. O que é, porém, uma queda para quem construiu alicerces fortes e inabaláveis? Os recomeços sempre foram possíveis dada a fé em Deus e em si próprios.Os sonhos tornaram-se realidade.
Meu irmão nasceu em dias melhores mas também teve a oportunidade de aprender com a luta desses imigrantes gregos :nossos pais.
Não é por acaso que hoje, quando me vejo desanimada, sem forças, procuro logo reagir, não me entregar. Não tenho esse direito.
Afinal de contas, acredito que os "gens morais" também são herdados.
Com essa genética,dá para "tirar a vida de letra".
-Navio Provence, rumo ao Brasil-
(Xenophon, Maria e EU! Onde? Procurem!)
-Navio Provence, rumo ao Brasil-
(Xenophon, Maria e EU! Onde? Procurem!)
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