sexta-feira, 10 de abril de 2020

Aperto de mãos e sua história




A história do aperto de mão

Antigamente o aperto de mãos tinha significado diferente.
Nosso conhecido aperto de mãos, uma medida que tomamos   quando conhecemos alguém, quando queremos fazer um acordo ou um simples cumprimento, no passado, significava “suspeita”.
Acreditava-se que, quando alguém estendia a mão direita, queria mostrar que não estava segurando uma arma. Os romanos, por outro lado, agarravam o antebraço do outro para descobrirem se não havia uma faca escondida na manga.
Além disso, achados arqueológicos e textos antigos mostram que o aperto de mãos ocorreu na Grécia antiga a partir do séc. V a.C.
Homero fez várias referências sobre o aperto de mãos nos seus textos, como sendo uma demonstração de confiança. Também é retratado na arte, em murais e estátuas. Foi retratado várias vezes em lápides, onde o falecido aparece em  alguma ocupação cotidiana ou sentado entre seus entes queridos , apertando a mão de algum deles.
Na Europa medieval, os cavaleiros apertavam as mãos para ver se havia armas escondidas.
No séc. XVII, acredita-se que os quackers(  membros da “Sociedade religiosa dos Amigos”, uma denominação cristã que apareceu na Inglaterra do séc. XVII com George Fox como protagonista) adotaram o aperto de mãos como uma saudação.
Os pesquisadores agora acreditam que o aperto de mãos é essencialmente um sinal químico entre dois interlocutores, e que muitos, instintivamente , cheiram a mão imediatamente após o aperto para se comunicarem com pressa! (meio estranho).
FONTE: Newsroom, Huffpost Greece




segunda-feira, 6 de abril de 2020

MOUTZA-gesto tipicamente grego


Mountza-gesto muito usado pelos gregos e seus significados.

Desde cedo, observei esse gesto feito pelos gregos em geral. Quando fui à Grécia ainda menina, via meu tio, toda vez que ficava nervoso no trânsito, tascava uma “mountza” para o outro motorista. Logo depois, quando aparecia uma igreja, ele fazia o sinal da cruz, como a maioria dos gregos ortodoxos costuma fazer, eu inclusive. Eu ria muito. Segundo ele uma coisa nada tinha a ver com a outra.
Trata-se de um gesto super grego mesmo.
Alguns dizem que a origem vem do Bizâncio, como um gesto de reprovação em casos de pequenos delitos. O juiz colocaria a mão nas cinzas e borraria o rosto das pessoas punidas, expulsando-a dessa maneira. No entanto, a visão predominante é que o gesto de toda a palma e dedos remonta à Grécia antiga.
Outra visão trata o gesto como sendo representação da vulva ou ao ato do amor. Quem faria o gesto, não teria todos os dedos esticados e abertos no momento mas mantinham o polegar estendido , o indicador e dedo do meio estendidos verticalmente, mantendo os outros 2 dedos fechados em punho. Segundo o poeta romano Ovídio, os gregos teriam chamado o gesto de “figo” e os romanos à princípio pensaram que ,com esse gesto, os gregos exorcizavam forças demoníacas, porque entre outros povos, a exibição da palma da mão e o uso similar dos dedos estavam associados a maldições e exorcismos- considerado um problema.
No entanto, na realidade, significaria um insulto pesado e uma expressão de desprezo que sobreviveu de outra forma no Bizâncio.
Em resumo, hoje , entre os gregos, o gesto continua firme e forte e é usado toda vez que alguém quer  demonstrar desaprovação, raiva , revolta ou simplesmente fazer uma brincadeira com amigos.

( fonte de pesquisa: tilestwra.com )






















terça-feira, 31 de março de 2020

Comida de pobres na Grécia




Comida dos Pobres na Grécia ao longo dos tempos

Existem algumas receitas gregas que se perderam ao longo dos tempos. Várias gerações de gregos cresceram com esses alimentos.
Os alimentos dos gregos do século passado, ligados diretamente à agricultura, perderam-se. Por outro lado, têm sido consumidos por jovens, pelos nutrientes que contém.
Pratos como “μπομποτα”(bobota), trahanas, pligouri, que eram consumidos pelos pobres, hoje são procurados pelos que protegem sua saúde.
Confiram os alimentos!


BOBOTA (μπομοτα)



Conhecida como pão ou torta dos pobres, a bobota era a alternativa alimentar dos pobres em tempos em que não havia fartura de farinha de trigo. Era essencialmente uma mistura de farinha de milho, água salgada e óleo, ovo ou algum recheio, se houvesse.

Tripsina e Petimedina (θρυψίνη και πεθιμιδίνη)


Até 1960, quando não havia creme de avelã , nem xarope de bordo, para passarmos no pão como fazemos hoje com as geleias,  enxarcava-se as fatias com esses xaropes. 
Petimezi, como dizem os gregos, deriva do mosto viscoso das uvas. A Tripsina era comercializada em uma caixa com uma foto de criança pequena e se tratava de um creme também chamado de estafilidina, também derivado de uvas). Seria um dos presentes mais comuns e nutritivos para as crianças nos anos de 1950-1960.

Pão com açúcar
Uma fatia de pão com açúcar era o modo mais prático das crianças iniciarem o dia antes de saírem para a escola.
Molhavam um pouco a fatia de pão e acrescentavam o açúcar.



Tsigarides (τσιγαριδες)
Espécie de bacon.
Nos velhos tempos, quase todas as famílias engordavam um porquinho que era sacrificado perto do Natal. Como não queriam desperdiçar nenhum pedacinho de carne, os pequenos pedaços de banha que sobravam eram colocados num balde com água e sal. Isso poderia ser reservado até o natal. Depois eram fritos.



Pligouri e Trahanas (πλιγουρι και τραχανα)
As famílias que viviam no campo e nos vilarejos gregos, sempre fizeram Trahanas em casa. Bem mais comum do que as massas e o arroz que invadiu as cozinhas nos últimos anos.
Pligouri é um grão fino de trigo seco e o trahaná, azedo ou doce, é uma massa feita de farinha e leite ou iogurte. Felizmente esses dois alimentos perdidos no tempo, retornaram ultimamente. Mesmo nas cozinhas dos grandes chefs, passaram a ter lugar como um retorno aos valores antigos.



Revithopsomo (grão de bico)
O grão de bico em época de guerra foi útil até para preparar bebidas e café.
Com essa leguminosa e farinha, também fazia-se o pão. Grão de bico com um pouco de farinha e óleo. Era um alimento presente em tempos de pobreza.


Fonte: enimerotiko.gr, com minhas traduções e adaptações.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Creme para empanar (Kourkouti)






Encontrei num blog de comida grega um creme para empanar super prático.
Como na Grécia empanamos berinjelas, abobrinhas, flores de -flor, peixes, usamos um creme próprio.
Chamamos de Kourkouti (kurkuti).
Segue receita:

1 xícara de chá de farinha de trigo
1 xícara de chá de leite ou água com gás ou cerveja
1 ovo
1 colher de chá de fermento em pó
Sal e pimenta a gosto

Modo de fazer
Misturar todos os ingredientes até formar um creme homogêneo
Se quiser, acrescente ervas batidas no liquidificador com azeite. Dará mais sabor ao creme.
Quando fizer  a fritura, use bastante óleo.

Fonte: cozinha da grega.blogspot





quinta-feira, 5 de março de 2020

Lalaghi, delícia de Mani




Lalaghi, delícia de Mani

Além da beleza de suas paisagens únicas, Messinia é famosa por sua tradição e folclore. Da sua rica tradição, nunca devemos esquecer das deliciosas receitas tradicionais que foram transmitidas através das gerações.
Uma dessas delícias, vem de Mani, região da Messinia.
Trata-se da ”Lalagui” com queijo da mesma região.
São espécie de panquecas tradicionais de Mani, conhecidas não apenas nessa região, mas também em várias partes da Messinia e Laconia. Não faltam em nenhuma celebração religiosa , principalmente no Natal. São pedaços salgados de massa frita com um design específico, contendo azeite, fermento, canola e sal. Elas são acompanhadas por queijos locais. Ninguém sai de Mani sem provar suas tradicionais “Lalagas”.

RECEITA( de Eva Monaxari) (funckycook.gr)

Para 12 porções.

Ingredientes:
-350 g de farinha
-fermento
-60 ml de azeite
-1/2 colherzinha de sal
-3/4 de colherzinha de canela
-1/2 colherzinha de cravos
-água morna
-óleo para a fritura

Modo de fazer

Em uma tijela, coloque a farinha , mexa, acrescentando o azeite vá amassando com as mãos para misturar bem a massa.
Acrescente o sal, os temperos e o quanto for necessário de água e o fermento.
Amasse bem por uns 3 minutos mantendo as mãos sempre úmidas com óleo.
Coloque essa massa em local quente e deixe descansar por 2 horas.
Depois faça cordões compridos com essa massa e frite-os.
Coloque em papel toalha para sair o excesso de óleo e acrescente mel  e sirva. Pode também servir com queijos, azeitonas, frios, como aperitivo.










quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Glyfada, o povoado dos grafites





             

 A cidade grega dos grafites(Glyfada-Messinia)
Glyfada, pequeno povoado, anteriormente conhecido como Karamanolis, é um assentamento semi-montanhoso, perto de Pylos e administrativamente pertencente a esse município , na Província de Messinia.
Nesse povoado, as paredes das casas são adornadas com grafites, desenhadas pelo conhecido e amado artista de Kalamata, Skitsofrenis.A vila se tornou um museu de arte moderna, com grafites do mundo rural e suas lutas.
Por iniciativa da associação local, o primeiro muro foi criado, apreciado por todos e, por isso, decidiu-se criar superfícies adicionais nas casas do povoado.
Fonte: gargalianoionline.gr


     




terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

O banquinho do Papú




 “Papú” significa vovô em grego.
Quem não tem um objeto, um móvel, uma peça, uma roupa de que  não se desfaz  de jeito algum?
Meu pai, hoje  já em outra morada, era meio acumulador! Sabe aquela figura que compra todas as novidades, aquele sujeito que manda trazer as muambas, aquele ser que guarda presentes para ir distribuindo ?
Após meio século de vida, meu pai resolveu dividir seu tempo entre Grécia e Brasil. Ia comprando presentes aqui e guardando na mala para levar para os amigos e parentes de lá. Lá comprava coisas lindas , ia guardando para trazer ao Brasil. Quando ele faleceu, tive a missão de ajeitar suas coisas , no sítio, onde ele morava , quando estava no Brasil.
Debaixo da cama , heis que surge uma mala cheia de artigos gregos (toalhas de mesa, combolois, camisetas, etc). Foi embora mas sem deixar de presentear...
Andava sempre com algum comboloi no bolso( espécie de terço, muito usado pelos gregos  para brincar, desestressar e, antigamente, rezar). Entrava em alguma loja, fazia amizade e acabava tirando o comboloi e presenteando . Ia aos médicos, fazia a mesma coisa. Deixava seus agrados por toda a parte.
Costumava ir à Praça da República, nas feirinhas de domingo, para comprar produtos típicos brasileiros, quando estava para viajar. Numa dessas andanças ele voltou com 3 banquinhos. Sim, 3 banquinhos. Um para a casa da minha mãe, um para casa do meu  irmão e um para mim. Na hora pensamos : “Prá que serviria”?
Pois serve para tudo.
Quando mudei de apartamento, meu ex- marido não queria que trouxéssemos meu banquinho. Achou que não combinaria com a  decoração. Dane-se a decoração. No banquinho do papú, ninguém “tasca”.
Ele fica ao lado da minha cama, onde apoio minha bolsa,  roupas, algum livro ou documento, uso para subir e pegar algo no armário, para esticar as pernas.  O mais importante: uso para aquecer meu coração, para lembrar sempre do meu pai amoroso, singular, muito alegre, vitorioso. É na proteção dele que me apoio nas horas mais difíceis e é a ele que agradeço a cada dia pela vida, pela estrutrura que nos deu e pelas lembranças que deixou.