sábado, 20 de setembro de 2014

MEZE



        Nos países do Médio oriente, existe uma tradição de pequenos pratos, pequenas porções , que são consumidas  como uma entrada da refeição principal. O termo "meze" deriva do significado da palavra "metade". Entre os povos não muçulmanos, os mezes servem para que não se beba algo alcóolico sem um petisco que acompanhe.
Na Grécia recebem o nome de "mezedakia". Fazem parte do dia -a -dia das pessoas, são servidos para visitas, servem para acompanhar um drink, no caso dos gregos ,o "OUZO".
Chegando aos restaurantes, antes de pedirem a refeição principal, os gregos pedem "mezedakia". Não pensem que vem um couverzinho básico não. Lá chega o garçom com vários pratos com petiscos (queijo feta, azeitonas, tzatziki, taramosalata, saganaki, melitzanosalata, skordalia ,salata horiatiki , keftedes, dolmadakia , spanakopita, tiropita,etc etc). Quando você vê a mesa está lotada . Para mim isso já basta.
Que nada,depois eles ainda pedem o prato principal.

Seguem abaixo algumas receitas dentre grande variedade de mezedes possíveis.

Tzatziki-creme de iogurte e pepinos


Ingredientes para 4 pessoas:
-1 copo de iogurte natural
-1 pepino médio
-4 dentes de alho
-1 maço de dill(endro)
-1 colher de sopa de azeite
-4 ou 5 gotas de limão
-um pouco de sal
-hortelã para enfeitar
Modo de fazer:
Descascar o pepino e ralar do lado grosso do ralador em cima de uma toalha de patos limpa.Espremer bem para deixá-lo bem sequinho.Colocar o iogurte numa tijela, acrescentar o pepino ralado.Ralar os alhos e acrescentar, junto com os outros ingredientes,mexendo tudo muito bem.Nessa mistura adicionar as gotas de limão.Colocar esse creme na geladeira antes de consumir.
Na hora de consumir,enfeitar com hortelã  e azeitona ,se desejar.

Taramosalata- é um dip delicioso que pode servir de aperitivo passado no pão.

Podemos fazer esse creme com pão ou com batatas.Passarei aqui a receita usando pão que é a básica.

Ingredientes: (para 6 pessoas)

-150 g de taramá
-5 fatias de pão amanhecido(miolo)
-1 cebola grande ralada
-2 limões (suco)
-2 xícaras de azeite

Modo de fazer:
Coloque o taramá no liquidificador e bata por alguns minutos.Enquanto isso molhe as fatias de pão e esprema bem para tirar toda a água.Adicione ao taramá que estará batendo no liquidificador.Vá colocando pouco a pouco o azeite, a cebola e o suco de limão.
Coloque num prato,jogue um pouco de azeite por cima e enfeite com azeitonas.

Skordalia=Dip grego de alho



Para quem aprecia alho, aqui está uma delícia grega. Esse creme, com textura de um purê acompanha bem peixes em geral e verduras. A quantidade de alho que irá dar o toque mais ou menos forte. Fica à sua escolha .
A receita pode ser feita com pão mas aqui passarei com batatas, mais versátil .
Tempo de preparo: 30 minutos
Ingredientes:
·         1 1/2 quilos de batatas para ferver
·         6-12 dentes de alho picados ou ralado (a gosto)
·         1 xícara de azeite extra-virgem
·         1/3 xícara de vinagre vermelho ou vinagre de vinho branco de  boa qualidade
·         1 colher de sopa de sal
·         1/2 colher de chá de pimenta do reino moída
Preparação:
Adicione o sal numa panela grande de água. Descasque as batatas e cozinhe em água e sal até ficarem facilmente perfuráveis com um garfo. Escorra.
Polvilhe as batatas com pimenta e amasse.
Na bacia misturadora do processador de alimentos (ou com um misturador da mão), bata as batatas e os alhos até ficar bem misturados, por 30-45 segundos. Ainda batendo, adicione lentamente o azeite e o vinagre, alternando-os, até conseguir uma mistura homogênea. E lisa. Skordalia deve ser cremosa e espessa. Se ficar muito grossa, adicione um pouco de água fria (não mais do que 1/4 xícara).
                                                  Em algumas regiões da Grécia, costuma-se acrescentar amêndoas ou nozes.
Rendimento- de 2 a 3 xícaras

Keftedes=bolinhos de carne



Como aperitivo,sempre encontramos esses bolinhos de carne,"keftedes" na mesa de um grego.Mesmo que pareça ser facílimo de fazer, é preciso usar os ingredientes certos para que fiquem macios e saborosos.
Ingredientes: para 6 pessoas
-1 kg de carne moída
-4 fatias de pão sem casca
- 4 ou 5 colheres de óleo ou azeite
-2 ovos
-2 cebolas
-3 dentes de alho
-4 colheres de sopa de vinagre
-um pouco de óregano, sal e pimenta
-óleo para fritura
Modo de fazer:
Molhem as fatias de pão.Espremam bem.
Misturem o pão com as cebolas picadas, o alho, a carne moída e o resto dos ingredientes.
Misturem bem por 5 minutos e depois façam os bolinhos no tamanho que preferirem.
Passem pela farinha de trigo e fritem em óleo quente.

Spanakopita com queijo-Torta de espinafre com queijo


Uma das tortas preferidas pelos gregos é a de espinafre, chamada spanakopita.

                       Numa das versões podemos acrescentar queijo e o resultado é maravilhoso.

                                                                    Ingredientes:

                        - 1 kg de espinafre
                        - 250 gramas de queijo feta ou similar
                        - 2 ovos
                        - 8 cebolinhas frescas
                        - 1 1/2 xícara de chá de óleo
                        - um pouco de endro, sal e pimenta
                        - 250 gramas de massa folhada( pode ser a Arosa)

                                                                   
                                                                   Modo de fazer:

                   Refogar o espinafre e tirar bem a água,deixando bem sequinho. Aquecer a metade do óleo numa panela e refogar as cebolinhas frescas bem picadinhas. Acrescentar o espinafre , o endro e mexer bem.Rretirar do fogo, acrescentar os ovos, o queijo feta ou similar, o sal , pimenta e misturar bem. Untar com óleo uma forma de 35 X 40 cm.Colocar a metade da massa sempre untando-a. Acrescentar o recheio.
Cobrir com o restante da massa. Se quiser, corte a torta em pedaços e acrescente o restante do óleo.
Assar em forno à 180 graus por aproximadamente 1 hora até que a torta fique dourada..
Servir quente ou fria, de acordo com sua preferência.

Dolmadakia-charutinhos com folha de uva





 Ingredientes:
1 xícara de azeite de oliva
300 g de cebola picada
1 xícara de arroz crú
2 colheres de sopa de hortelã ou dil picados
1 xícara de água quente
1 colher de sopa de sal
1/4 de colher de sobremesa de pimenta do reino
suco de 1/2 limão
50 a 60 folhas de uva frescas
Esquente ½ xícara de azeite em uma frigideira e refogue as cebolas até dourar e amolecer. Acrescente o arroz, tampe e deixe cozinhar por 5 minutos em fogo baixo. Acrescente todos os ingredientes restantes, menos as folhas de uva, e deixe cozinhar por mais 5 minutos em fogo baixo. Deixe o recheio esfriar. Lave as folhas de uva com água fria. Se usar folhas de uva frescas, ponha-as em água fervente por 3 minutos. Enxágue as folhas e molhe-as com água fria. No meio de cada folha (com sua face lisa voltada para baixo) coloque uma colher de sobremesa de recheio de arroz. Dobre as folhas por cima do recheio e enrole-as. Não aperte muito para evitar que os charutinhos estourem, pois o arroz cresce ao ser cozido. Cubra o fundo de uma panela rasa uma camada de folhas de uva para que os charutinhos não estourem, cubra e deixe cozinhar em fogo baixo por mais ou menos uma hora. Deixe esfriar dentro da panela. Sirva como entrada junto com coalhada.







quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Cheiro de infância


                      Hoje uma surpresa maravilhosa levou-me de volta à infância.
          Tenho vários afilhados mas ,por circunstâncias da vida, alguns saíram de cena por alguns anos.
Sempre tive um instinto maternal,adoro crianças e ,por isso tive a honra de ser escolhida como madrinha de várias delas.Porém ,um deles, o primeiro,foi meu afilhado quando eu ainda começava a entrar na adolescência. Era neto de gregos e filho de mãe brasileira com pai grego.
          Naqueles anos os gregos se reuniam,se frequentavam. Todos lutavam por uma vida melhor e pelo sustento de suas famílias mas a amizade e o companheirismo fortalecia essa caminhada.
          Taki era o apelido do meu afilhado.Para mim sempre foi Takinho. A vida nos separou por muitos anos e a lembrança que tenho dele é do batizado,um menino tranquilo,lindo.
          Há dias eu comentava com minha mãe da vontade que eu tinha de revê-lo, saber dele.
Não mais do que de repente fui atendida. Ele, através da Santa Internet, pesquisando sobre uma bebida grega, o Ouzo, deu de cara com meu blog onde tenho um artigo à respeito. Viu meu nome e logo descobriu:-" Tacia, é minha madrinha"! 
Procurou nos localizar através de um amigo grego e , afinal, após décadas pude ouvir a voz do meu afilhado tão querido que ainda nem sei como é hoje. 
          Essa voz carinhosa me levou à casa dos seus avós onde nos reuníamos, lá no Bom-Retiro.
Sua avó, dona Pulia e o seu avô Sr Panagiotis eram receptivos e nossos encontros eram batizados com as "riganadas" e as batatas fritas dessa Iaiá prendada.
"Riganada", já lhes passei aqui no blog uma receita. As da Dona Pulia,porém ,tinham um aroma especial. Ela espremia o tomate em fatias de pão meio torrado, acrescentava sal, orégano e regava com azeite. Fritava frigideiras e frigideiras de batatas fritas e a festa estava feita.
Nunca me esquecerei dos batizados das minhas bonecas organizados pelo Sr Panagiotis.Ele já partiu mas todo carinho que ele nos deus é inesquecível.
          Esse reencontro com cheiro de infância coloriu meu dia e acarinhou meu coração.
          Logo nos reencontraremos pessoalmente e tentaremos resgatar o que não vivemos durante décadas.
          Hoje sei que meu sono será muito feliz e com cheirinho de infância.







Riganada



                                         A foto do batizado ortodoxo grego é apenas ilustrativa

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A Froutalia da Ilha de Andros






           Algumas décadas se passaram desde que tive o privilégio de conhecer Andros: ilha da Grécia, ao norte do arquipélago das Cíclades. Sua área é de 347 kilômetros quadrados..Acredito que tenha sido a primeira ilha que conheci. Ainda muito jovem, fui com uma amiga da minha mãe ,"Irini".Como ainda é costume nas ilhas, as famílias alugam quartos nas casas, para turistas.
Ficamos numa casinha pertinho do mar. Bastava descer uns degraus, caminhar um pouco e lá estava aquele marzão de um azul intenso que acalmava o meu ser.
        Numa das manhãs, enquanto eu caminhava para o mar, jovem ,bronzeada com meu biquini branco, avistei um senhor com sua super câmera fotográfica , captando detalhes de toda aquela beleza: conchinhas do mar, barcos ao longe. Muito sereno se aproximou de mim falando no idioma francês.
Respondi que era brasileira mas falava grego. Daí começou uma amizade, apresentei-o à amiga de minha mãe, uma senhora da idade dele mais ou menos. Ela logo se empolgou(era viúva) . Encontrávamos o Sr. Petros, esse era o nome dele, pela manhã na praia. Ele pediu-me licença para tirar umas fotos minhas. Permiti e ele fez fotos lindíssimas.Daí a Irini nos falou sobre uma especialidade gastronômica da ilha chamada "froutalia".O que seria isso?
Trata-se de uma espécie de omelete com linguiça e batatas, prato tradicional, super saboroso e fácil de fazer, característico das ilhas Cíclades.Pode ser feito com uma variedade de ingredientes  dependendo da época do ano: feijão verde, alcachofras, cebola, abobrinha ,etc. Porém o tradicional é com linguiça e batatas.
          Lá fomos nós, acompanhadas pelo Sr.Petros , de barco, até uma ilhota em frente onde havia uma taverna especializada em froutalia.
Tendo como paisagem o mar azul, sentados às mesa com toalhinhas xadrez azul e branco, fizemos nosso pedido. Eu e o senhor Petros curiosos já que a Irini insistia muito em que experimentássemos o prato.
Uma frutalia acompanhada de salada Horiatiki ,pão e um vinho da casa. Nada mais.
Indescritível o sabor desse prato que chegou fumegante numa frigideira.
          Nunca mais esse dia, esse instante saiu da minha memória .Quando ouço falar da ilha de Andros, lembro-me da Froutalia.
          Antes de lhes passar a receita dessa delícia, vou dar uma floreada no texto falando sobre o senhor da praia.
Sempre discreto mas gentil e cavalheiro nos convidou para um jantar em Atenas, quando voltássemos. Claro que a Irini logo percebeu que ele estava encantado por mim e queria me rever.
          Lá fomos as duas encontrá-lo. Ele me entregou as fotos ampliadas e junto uma caixinha.Qual não foi minha surpresa ao abri-la e encontrar uma plaquinha de ouro em forma retangular com os seguintes dizeres: de um lado "Ao meu amor Anastacia" e do outro "Petros". Essa história dava um livro porque esse homem passou meses e meses me escrevendo lindas cartas em francês .Usava esse idioma pois fizera parte de um alto cargo na embaixada grega da França.
Quem lê essa história logo pensa tratar-se de um velhinho sacana mas não.Ele logo foi dizendo que sabia que a diferença de idade era grande.Dizia que se eu tivesse uns anos a mais jamais me deixaria ir embora. A plaquinha continua guardada numa caixinha e o Sr.Petros já deve ter partido desse mundo há um bom tempo.
          Depois de todas essas lembranças, preciso voltar a essa linda ilha cercada de plantações de alcaparras, onde se come bem e não é tão invadida pelo turismo.

Receita da Froutalia tradicional
Ingredientes:
2 linguiças médias cortadas em fatias
3 batatas médias , descascadas e cortadas em fatias finas
100 gr. de queijo ralado
100 ml de leite
6 a 8 ovos grandes, de preferência, orgânicos
hortelã e salsa picada
sal e pimenta
óleo para fritura


Modo de fazer:
Em uma frigideira grande, antiaderente, adicione óleo suficiente para cobrir o fundo.
Aqueça um pouco o óleo e frite as linguiças por uns 4 minutos até que fiquem crocantes. Tire-as e coloque-as num papel toalha para escorrer o óleo.
Adicione um pouco mais de óleo na frigideira e acrescente as batatas com sal e frite-as até ficarem macias.
Tire o óleo que restou da frigideira e acrescente as linguiças.
Em uma tijela, bata os ovos com o leite e acrescente o queijo ralado, as ervas o sal e a pimenta. Despeje o conteúdo dos ovos na frigideira e tampe-a. Cozinhe a froutalia em fogo médio. veja se está cozida, levantando o fundo com uma espátula.Vire-a para cozinhar dos dois lados como fazemos com os omeletes.
Sirva com pão e salada horiatiki.




segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Abobrinhas grelhadas com pinhões

   




          Como tenho visto muitos pinhões, nessa época do ano aqui no Brasil, encontrei uma receita deliciosa para lhes passar.
Trata-se de um prato típico do verão grego : Abobrinhas grelhadas com pinhões
Ingredientes:
- 4 abobrinhas não muito grandes
-4 colheres de sopa de azeite de oliva extra-virgem
-suco de meio limão
- 1/2 a 1 sumagre(especiaria muito usada na culinária árabe)
- 2 colheres de sopa de pinhões torrados
- 10 a 12 folhas de hortelã

Modo de fazer:
          Cortar a abobrinhas ao meio longitudinalmente e tirar as sementes  grosseiramente com uma colher.
Polvilhar as abobrinhas  com sal e deixar numa peneira para escorrer bem.
Aquecer seu grill, pincelar com um pouco de azeite e assar as abobrinhas até dourarem dos dois lados.
Retirá-las do grill, cortá-las em tiras pequenas, colocá-las numa travessa.
Regá-las com azeite e suco de limão.Polvilhar com os pinhões já torrados, hortelã,  o sumagre e servir bem quente.

Observação: Esse tipo de prato pode ser feito com outros legumes de sua preferência: berinjelas, cebolas, pimentões, cebolas etc.


Fonte: Eirinika.gr

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Desaprender a ser só



Poderia ser um outro título de música....
Há os que pensam que é muito difícil aprender a ser só porque sempre associaram a felicidade a estar com alguém, a sempre compartilhar e viver em função do outro.
Me vejo pensando o avesso dessa história.Como é difícil desaprender a ser só...
Algo muito singular na "solteirice" é o fato de não termos obrigação de pensar por duas pessoas. Dessa forma , fica muito mais prático e fácil realizar o que se deseja.
É muito gostoso ter a liberdade de "se cuidar" ,de "se agradar", de "se acarinhar". Ser livre para viajar, estudar, escolher o que quer assistir ,escolher as amizades, poder decidir a própria vida sem interferências. Mais gostoso ainda é poder ter preguiça sem culpa, sem críticas.
O que mais colabora para precisarmos de alguém ao lado é a baixa auto-estima. Parece que precisamos que alguém esteja alimentando nosso ego a todo instante e nos fazendo crer o quanto somos especiais , importantes e "imprescindíveis".
Se a pessoa se sente confiante , pode ser feliz, independente da situação amorosa.
Esse estado de plenitude que torna o "solteiro" atraente.

Se o "estar junto" puder conviver com o ser livre , mesmo havendo um comprometimento, daí sim valerá à pena CONVIVER,  valerá à pena  DESAPRENDER A SER SÓ.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A figueira do primo Georgios




          Toda vez que vamos à Grécia, nosso primo Georgios e sua família, costumam nos hospedar em Atenas. Ele foi casado com minha prima mais velha, já falecida, também Tacia como eu.
          Nos verões costumam ir à sua casa de praia em Astros , uma cidade litorânea a 170 kms de Atenas. Lá fomos nós também, como convidados.
Tratava-se de um conjunto de três casinhas de uma mesma família,cada uma de um irmão, entre eles o meu primo. Bastavam uns poucos passos para chegarmos à praia.
          Logo no primeiro dia de estadia, ao me levantar, fui até a varandinha da casa e dei de cara com o Georgios, numa escada , em frente a uma linda e cheia figueira.
Ele me disse : "- Estou colhendo nosso café da manhã".
          Desceu ele com uma bacia lotada de figos grandes , que logo foi lavar e colocou à mesa para completar nosso "proinó"(café da manhã em grego).
          O figo realmente adoça o verão grego. Puro mel !




         Para as antigas civilizações do Mediterrâneo e do oriente o figo era componente básico da dieta humana. Se não forem consumidos  ao natural, são colocados ao sol ou ao forno para secarem. Muitas vezes até substituíam o pão.
          Faziam papel de "anabolizantes" para os atletas gregos antigos antes dos jogos.
          Na Grécia antiga, os figos serviam para alimentação mas também eram comercializados.
          Eram também usados para alimentar porcos e, principalmente gansos.
          Durante séculos os gregos das ilhas do mar Egeu, jônico, Creta e Peloponeso, desidratavam os figos para comê-los no inverno, como sobremesa.Os figos secos são, frequentemente recheados com nozes ou cozidos com nozes numa calda.
          Os figos também têm propriedades medicinais, conhecidas dede o tempo de Hipócrates. Trazem benefícios ao fígado, aliviam a tosse, asma e faringite, sendo excelente laxante e diurético.
          Toda vez que vou à Grécia, não posso deixar de trazer os figos secos ,que minha mãe tanto aprecia e que são largamente produzidos na sua cidade ,kalamata.
          O único incoveniente é o alto teor de açúcar. Cem gramas de figos frescos contém 80 calorias. Imaginem os secos recheados então...Um figo fresco contém por volta de 274 calorias!
Os figos podem ser apreciados ao natural, feito como geléia ou compota, em bolos e doces ou até no sorvete.
          Pode-se também secar os figos e comê-los como um doce ou uma sobremesa.
























Abaixo transcrevo uma receita  :

Doce de figo (siko-gliko tou koutaliou=figo,doce para comer com colher)


Ingredientes

-25 a 30 figos
- 1 kg de açúcar
- 3 xícaras de chá de água
- 35 amêndoas ou nozes descascadas e picadas
-cravos
- 2 colheres de chá de suco de limão
Modo de fazer:
Para manejar os figos, melhor usar luvas porque podem causar coceira
-Lave bem os figos.Corte o pequeno caule .
-faça furinho dos dois lados com um palito
-Ferva- os figos por uns 5 a 10 minutos , cobrindo-os com um prato.Quando puder furar com o garfo, tire-os do fogo.
-Coe os figos e enxague-os.
-Em seguida coloque-os numa tijela com água e o suco de limão e deixe por 2 a 3 horas.
-Coe novamente . Enfie uma noz ou amêndoa e um cravo em cada um.
-Ferva a água com o açúcar e quando o açúcar derreter, coloque os figos .
-Ferva a calda por 10 a 15 minutos.Retire do fogo e deixe por uma noite.
-No dia seguinte, adicione o suco de limão e ferva novamente até engrossar.
-Deixe esfriar e depois coloque em recipientes de vidro esterelizados.








domingo, 13 de julho de 2014

Dragasia-Dragatsula



          Quase todas as famílias na Grécia tem alguma terrinha no interior , já herdada de seus antepassados.Lá geralmente há plantação de oliveiras de onde provém o azeite que usam o ano todo.
          Na minha adolescência, quando fui à Grécia conhecer meus parentes, minhas primas e primos me levaram a um sítio ao lado do mar, em Vromoneri, Gargagliani, Messinia( sul da Grécia).
Havia uma casa bem antiga, na época sem energia elétrica e sem água encanada.
Para nós jovens,recém saídas da adolescência,tudo era diversão. À noite acendíamos as lamparinas de querosene. Os banhos, na volta da praia, eram de balde com água tirada do poço: um gelo! Na época não dirigíamos ainda e pegávamos carona em tratores para irmos ao centro da cidade.
          Minha prima mais velha, reclamava do calor e ia dormir fora da casa , numa dragatsula.
Construída bem acima do chão, havia uma pequena cabaninha. Lá ela montava um colchonete e dormia. Quanta coragem!
          Outro dia comecei a relembrar tudo isso e fiquei curiosa a respeito da "dragatsula". Fui pesquisar e descobri a origem de tais cabanas.

          Historicamente, na Planície de Tessália, os agricultores construíam pequenas cabanas bem no alto, de madeira e galhos ,afim de poderem fiscalizar suas plantações .Ficava um policial rural, denominado "dragatsi" para patrulhar toda a área. Esses policiais rurais, cuidavam das plantações, protegendo-as de animais e ladrões. Para subirem até a dragasia, os dragatsis, construíam degraus de madeira. Geralmente a cultura era sazonal, por isso ficavam na região até a maturação das uvas, melancias e outras plantações. O pagamento desses dragasis , era feito pela comunidade  ou pelos produtores de videiras ou hortas.

                                                                        Dragatsula    

                                                                            Dragasis                           

          Como na Grécia faz muito calor no verão, muitos faziam essas dragatsulas(pequenas cabanas) para descansar e dormir pois era mais fresquinho.
Hoje tudo isso são só lembranças de um tempo em que não se precisava de muito para ser feliz.
Acredito que dávamos muito mais risadas com nossas lamparinas, nosso banho gelado de balde, nosso mar com a praia quase deserta, nossas batatas fritas com azeite , em fogão de lenha, nosso vinho feito com as     uvas de nossas terras.
          Hoje nessas mesmas terras, há confortáveis casas com tudo que a modernidade pode proporcionar.Alguns de meus primos e primas, já aposentados , resolveram trocar Atenas pela paz de suas terras onde desfrutam do campo e da praia. No  verão recebem a família,os netos e assim levam a vida .

Fonte da pesquisa sobre Dragasia=dragatsula-http://tovaltino.blogspot.com.br/