quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

A PENSÃO DO SENHOR ARMANDO

 




                              A saudosa pensão do senhor Armando

Ainda existe hoje e fica na rua Conde São Joaquim , n 118, Bela Vista.

É o casarão beige e embaixo funciona uma lanchonete.

     Hoje falamos muito em cortiços onde se espremem várias pessoas ou famílias .

     Na minha memória surge uma pensão na Bela Vista, exatamente na Rua Conde São Joaquim.

     Não são memórias ruins, pelo contrário. Tratava-se de um casarão de um português, Sr Armando, onde cada quarto abrigava uma família de imigrantes. Meus pais, recém chegados da Grécia, viram lá um abrigo, um acolhimento.

     No primeiro quarto ,logo na entrada, morava um casal de gregos e sua filhinha Eugenia que até hoje é minha amiga.

     No corredor ficava o nosso quarto ( meus pais e eu , pequenina ainda).

Havia uma cozinha coletiva com grandes fogões, onde todos cozinhavam. Esses flashes nunca saíram da minha cabeça.

Num cantinho da cozinha, num aparador, ficava o filtro de barro . Me vejo subindo num banquinho para pegar água.

     Meu pai trabalhava fora, em dois empregos , minha mãe passava horas e mais horas costurando para fora. Lembro-me que nem sabia falar português.

     Minha mãe me contava que costurava para uma confecção e fazia as casinhas para os botões na máquina caseira. Era uma trabalheira. Toda vez que entregava as roupas, lhe explicavam que ela não precisava fazer as casas porque tinham máquinas especiais para isso. A grega custou a entender. Não sei bem se morei lá até uns 3 anos , mais ou menos. Na foto, apenas para dar idéia de como era o casarão, há uns degraus antes da porta de entrada. Foi de lá que eu despenquei com meu guarda-chuvinha e uma das hastes me furou na altura doa lábios. Tenho até hoje a cicatriz.

     Havia mais gregos por lá e, de vez em quando, umas discussões por causa de fofocas.

     Minha mãe, sempre à frente do tempo, linda de viver, alta, esbelta, nunca levou desaforos para casa e defendia sempre quem era injustamente atacado. Numa das vezes fez uma fofoqueira correr de medo , com uma faca nas mãos. Nunca mais essa dona abriu a boca e depois de anos tornaram-se grande amigas.

     Lembro-me direitinho das brincadeiras com minha amiga Eugenia, das noites em que eu adormecia na caminha ao lado da máquina de costuras, onde minha mãe atravessava as noites.

     O senhor Armando, dono do casarão, era um bom sujeito. Ajudava meus pais a aprenderem o idioma.

     Depois de anos, quando eu e meus pais mudamos para outra localidade, ele nos visitava e presenteava com vinho do porto.

     São memórias que guardo com muito carinho , de um início de vida de meus pais, num país tão longínquo.

     Nasci poucos meses após a chegada deles e também por esse motivo, nunca se entregaram, lutaram e foram vitoriosos.

     Sempre digo que não tenho direito de fraquejar já que tive fortes alicerces na vida. Só gratidão por tudo.


Eu e minha amiguinha Eugenia na porta do casarão


A minha amiga Eugenia foi até lá e tirou uma foto no mesmo portão que foi trocado. Também irei até lá com ela para repetir nossa foto de crianças.







quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

PSYCHOSAVATO=ΠΣΥΧΟΣΑΒΑΤΟ= SÁBADO DAS ALMAS

 



     Trata-se de um tipo de serviço memorial realizado pela Igreja, dedicado às almas.

     Os sábados das almas são dedicados aos falecidos e constituem essencialmente um "Trisagion" para os falecidos, que é celebrado de acordo com os preceitos da Ortodoxia, após as matinas e a Divina Liturgia.

     Todos os sábados do ano são dedicados às almas dos cristãos, com a esperança de Ressureição na Segunda Vinda, de acordo com as escrituras. No entanto, a igreja ortodoxa honra especialmente sua memória em dois Sábados das Almas de cada ano.

     Segundo a tradição, os Sábados das Alma é um serviço memorial não programado ou planejado, realizado pela própria igreja para aqueles que não podem, por algum motivo, celebrar os serviços memoriais estabelecidos.

     Essa provisão existe principalmente para aqueles que morreram no exterior ou em circunstâncias difíceis, ou mesmo para os pobres que não podem realizar os serviços memoriais regulares.

     As datas podem diferir em cada ano.

     Os dois sábados espirituais celebrados , um antes do Domingo de Ascenção e outro antes do Domingo de Pentecostes.

     O primeiro Sábado Espiritual do ano dá-se 57 dias antes da Páscoa, enquanto para o Segundo sábado espiritual contamos 48 dias depois da Páscoa.

     Portanto , em 2025, as duas datas do PSYCHOSAVATO serão:

     22 de fevereiro e 7 de junho.